Gestalt-terapia na prática: como são as sessões e para quem

A gestalt-terapia na prática parte do que a pessoa vive no momento, com experimentos opcionais e foco na relação.

Entre as linhas de psicoterapia mais citadas por quem busca autoconhecimento, a gestalt-terapia chama atenção por um jeito particular de trabalhar: ela dá atenção à experiência presente, ao que o indivíduo sente, percebe e faz no momento em que está vivendo. Ver a gestalt-terapia na prática ajuda a entender o que esperar de uma sessão.

Ela se inclui entre as linhas humanistas e fenomenológicas e entende a pessoa sempre em relação ao meio, e não isolada dele. O texto descreve origem, princípios, sessões, formação e a conferência do registro, sem comparar com outras linhas.

O conteúdo é informativo e não substitui atendimento. Se o sofrimento estiver intenso agora, o CVV atende pelo 188, de graça, 24 horas.

De onde vem

Há forte consenso na comunidade da área de que a gestalt-terapia surgiu em 1951, com a publicação do livro Gestalt Therapy: Excitement and Growth in the Human Personality, de Fritz Perls, Ralph Hefferline e Paul Goodman. A tradução para o português saiu em 1997, com o título Gestalt-terapia.

Frederick Perls, conhecido como Fritz Perls, viveu entre 1893 e 1970. Segundo artigo da revista Psicologia em Estudo, foi influenciado pela fenomenologia de Husserl e pelo movimento da psicologia da Gestalt, que estudava a percepção. Com o tempo, a linha incorporou outras influências.

Desde a década de 1980, muitos gestalt-terapeutas passaram de um modelo baseado em exercícios propostos ao paciente para um modelo centrado na relação terapeuta-paciente, influenciado também pelas ideias do filósofo Martin Buber.

No Brasil

De acordo com levantamento publicado na revista Psicologia: Ciência e Profissão, o primeiro artigo sobre gestalt-terapia no país foi de Thérèse Tellegen, e a primeira formação propriamente dita surgiu em 1977, em Brasília. Desde então, institutos e núcleos formadores se espalharam pelo território.

Os princípios, nos termos da própria linha

A meta do trabalho é o crescimento. Alguns conceitos ajudam a entender como a gestalt-terapia pensa a pessoa.

O contato é a troca constante com o ambiente, que acontece na chamada fronteira de contato entre o organismo e o meio. A awareness, palavra inglesa usada para a tomada de consciência, é um estado de atenção onde o indivíduo consegue focar o que emerge na percepção. Figura e fundo descrevem como, a cada momento, uma necessidade ganha destaque e organiza a percepção; quando esse fluxo é interrompido, acumulam-se situações inacabadas, ideias fixas e rigidez.

O ajustamento criativo é a capacidade de encontrar, no contato com o ambiente, formas próprias de responder ao que se vive. E o aqui e agora lembra que o foco está no que acontece no presente, inclusive na própria sessão, e não apenas no relato do passado.

Gestalt-terapia na prática: como é a sessão

A sessão costuma partir daquilo que o paciente traz naquele dia. O terapeuta acompanha não só o conteúdo da fala, mas também como ela é dita: o tom de voz, a postura, as pausas, as emoções que aparecem. Em vez de interpretar, o trabalho busca descrever a experiência e ampliar a percepção do paciente sobre ela.

O gestalt-terapeuta pode propor experimentos, que são convites a experimentar algo na própria sessão, como dar voz a uma sensação do corpo ou conversar com uma situação que ficou inacabada. Esses experimentos não são obrigatórios e são construídos junto com o paciente.

A relação entre terapeuta e paciente é considerada parte central do processo.

Formato e duração

As sessões costumam ser individuais, mas a gestalt-terapia também é usada com casais, famílias, crianças e grupos. A frequência e a duração de cada encontro são combinadas no início e variam conforme o caso e o profissional.

A duração total do processo não costuma ser fixada de antemão e varia de pessoa para pessoa. O atendimento pode ser presencial ou online, nas mesmas condições éticas.

Para quem é indicada

Na literatura da área, a gestalt-terapia é descrita como uma forma de acompanhar o sofrimento psíquico em sentido amplo e também processos de desenvolvimento pessoal, com ênfase na ampliação da consciência sobre as formas de ser e de agir. É usada em consultório, em instituições de saúde, em escolas e em trabalhos com grupos.

O que acontece em cada terapia depende da pessoa e do processo. Nenhuma linha promete resultado, e a avaliação de cada caso é feita pelo profissional na conversa inicial.

Onde o psicólogo se forma

A graduação em Psicologia costuma apresentar as linhas humanistas e fenomenológicas. O aprofundamento em gestalt-terapia vem depois, em formação continuada em institutos da área, especialização, atendimento supervisionado e programas de pós-graduação de universidades públicas que pesquisam o tema.

A formação costuma incluir estudo teórico, prática supervisionada e experiência pessoal na linha. Quando o profissional é psicólogo, segue as normas do Conselho Federal de Psicologia, entre elas a Resolução CFP nº 13/2022, que trata das diretrizes da psicoterapia.

Como conferir o CRP

Todo psicólogo precisa estar inscrito no Conselho Regional de Psicologia para exercer a profissão, como determina a Lei nº 5.766/1971. Já o título de psicoterapeuta não é exclusivo: nem todo psicoterapeuta é psicólogo, porque a psicoterapia não tem regulamentação própria.

O nome e o número do registro podem ser conferidos no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia. A consulta é pública e gratuita.

Tem a ver com a psicologia da Gestalt?

Tem ligação histórica. Perls foi influenciado pelo movimento da psicologia da Gestalt, que estudou a percepção, e pela fenomenologia. A gestalt-terapia, porém, é uma linha de psicoterapia, com conceitos próprios.

Saber a diferença evita confusão na busca por profissionais e por materiais de estudo.

Gestalt-terapia na prática: perguntas frequentes

O que é awareness? É a palavra inglesa usada na literatura da área para a tomada de consciência: um estado de atenção onde o indivíduo percebe o que emerge, no corpo, nas emoções e no ambiente, naquele momento.

Preciso aceitar os experimentos propostos? Não. Eles são convites, construídos junto com o paciente, e podem ser recusados ou adaptados. A recusa também é um material de conversa na sessão.

A gestalt-terapia na prática serve apenas para adultos? Não. A linha também é usada com casais, famílias, crianças e grupos, com adaptações de manejo conforme o público.

O que perguntar antes de começar

É legítimo perguntar ao profissional onde fez a formação em gestalt-terapia, se há supervisão regular e como costuma conduzir a primeira fase do trabalho. Perguntar sobre frequência, duração das sessões e valor também faz parte.

Se a pessoa preferir um modelo mais estruturado ou mais livre, vale dizer isso na conversa inicial. O profissional explica como trabalha e avalia, com ela, se o caminho faz sentido.

Contato e fronteira: uma imagem simples

Para entender a ideia de fronteira de contato, imagine a pele: é o limite do corpo e, ao mesmo tempo, o lugar onde acontece a troca com o mundo. Na linha, a saúde psicológica está nessa troca, no qual o indivíduo consegue se aproximar do que o nutre e se afastar do que a machuca.

Quando algo interrompe esse fluxo, aparecem rigidez e situações inacabadas. A sessão cria um espaço para perceber isso e experimentar jeitos novos de responder, sem pressa.

Um resumo para guardar

A gestalt-terapia trabalha com a experiência presente e com o contato, em sessões que partem daquilo que o paciente traz, com experimentos opcionais e atenção à relação. Pode ser individual, em grupo, presencial ou online.

Para começar, confira o registro do psicólogo e converse sobre como ele trabalha. Quem não pode pagar tem alternativas gratuitas na rede pública e nas clínicas-escola.

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